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Entrevista: nova versão da TV 3.0 deve ser apresentada em agosto

Supervisor da Rede Legislativa explica significado e implicações da nova tecnologia para a sociedade e a comunicação pública

Entrevista: nova versão da TV 3.0 deve ser apresentada em agosto

Uma inovadora e promissora tecnologia a serviço da informação pública, da cidadania e da democracia. Assim podemos definir a evolução da televisão brasileira, que atende pelo nome de TV 3.0 ou DTV+. Foi possível conhecer melhor sobre o desenvolvimento dessa plataforma durante a edição de 2026 do Encontro da Rede Legislativa, realizada entre os dias 10 e 12 de junho na Câmara dos Deputados.


Nesta entrevista para o site da Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas (ASTRAL), o supervisor da Rede Legislativa, Carlos Neiva, explicou melhor sobre a dimensão dessa nova era televisiva, como a tecnologia deve impactar a sociedade, a comunicação pública e adiantou que uma versão avançada da TV 3.0 será apresentada em agosto.


Neiva, que também é vice-presidente de Redes e Tecnologia da ASTRAL, falou, ainda, que as emissoras terão acesso ao código-fonte da plataforma da TV 3.0 para fazer as adaptações às suas necessidades de transmissão e interação com a audiência. “É, realmente, um projeto através do qual o Brasil colocou um passo à frente até dos países mais envolvidos, como os Estados Unidos”.


Confira abaixo toda a entrevista:



Qual o balanço você faz do Encontro da Rede Legislativa 2026?


O evento foi muito importante, com bastante participação, principalmente das câmaras municipais e das assembleias legislativas. Houve muita representatividade também. Tivemos a presença de deputados, como o presidente do Conselho Consultivo de Comunicação da Câmara dos Deputados, o deputado federal Cleber Verde; do ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho; da presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino; do presidente da SET, Paulo Henrique Castro; e o próprio presidente da ASTRAL, Gerson de Castro.


O Encontro foi muito marcante, principalmente, pela demonstração da primeira transmissão experimental de TV 3.0 da Rede Legislativa. Nós entramos em operação tanto em Brasília quanto em São Paulo, ainda em caráter experimental, mas já com um transmissor funcionando. E tivemos a oportunidade de ter a demonstração da primeira versão dos aplicativos do Legislativo e, também, da plataforma +BR, dedicada à comunicação e aos serviços de governo digital da TV 3.0.


O evento da Rede foi muito marcante, também, porque nós tivemos aqui painéis, como o que tratou sobre o Programa Brasil Digital. É um programa de expansão da Rede para que câmeras municipais e assembleias legislativas tenham os seus sinais, junto com a Câmara dos Deputados e o Senado Federal nas cidades onde não existe a implantação. O Governo Federal investe e fornece os equipamentos.


Durante o Encontro da Rede Legislativa, houve celebrações de acordos de cooperação, com a presença de representantes de mais de 70 câmaras municipais e de diversas assembleias também. Isso significa a implantação de estações transmissoras em cada município.


Tivemos, também, painéis sobre como elaborar a programação, sobre gestão, redes sociais. Houve, ainda, atividade focada no rádio, que também é importante meio de comunicação.


Outro destaque é o minicurso que a ASTRAL promoveu sobre como implantar uma emissora de baixo custo, incluindo os equipamentos técnicos necessários. Por isso tudo, foi um evento muito produtivo.



Em qual fase está a TV 3.0? Quando essa tecnologia deve entrar em vigor e chegar ao mercado?


Esse é um projeto, aliás, que a ASTRAL tem uma participação bastante relevante, assim como a Rede Legislativa, desde a concepção, desde o sonhar com a nova tecnologia que permitisse mais avanços e funcionalidades para os cidadãos.


Nós participamos de fóruns junto ao Ministério das Comunicações, na escolha da tecnologia, de toda a discussão que culminou no decreto que regulamentou e continua regulamentando a TV 3.0. Tudo isso começou com um projeto que nós encaminhamos via ASTRAL para a Anatel, e foi aprovado.


A proposta previa a instalação de dois transmissores, um em Brasília e outro em São Paulo, cuja transmissão inicial nós tivemos a oportunidade de ver no dia 10 de junho no evento da Rede Legislativa. 


Além desses transmissores, que têm equipamentos ainda caros, a Anatel está em um processo de incentivo para que a indústria, os receptores, os televisores se adequem e possam captar esses sinais.


Nós tivemos, também, um projeto aprovado, submetido pela ASTRAL, de desenvolvimento de aplicativos para o (Poder) Legislativo, para o campo público, para o Poder Executivo. A primeira versão desses aplicativos nós entregamos, de forma demonstrativa, no Encontro da Rede, em 10 de junho.


Nós temos a expectativa, pelo cronograma, de ter uma segunda versão, mais completa e bastante funcional, em agosto deste ano. O projeto vai continuar, ainda, com o desenvolvimento até o fim do ano que vem, mas a nossa expectativa é a de que a partir de agosto nós já tenhamos aplicativos bem interativos, funcionais, com recomendações inteligentes de conteúdo, com integração com o celular e uma série de possibilidades que a TV 3.0 permite.


Além disso, há todo um desenvolvimento no país como um todo para que as emissoras possam instalar transmissores nas cidades, porque isso é fundamental para a tecnologia ser implantada.


Nós tivemos, agora, com a Copa do Mundo, por exemplo, a TV Globo estreando a TV 3.0 no Rio de Janeiro, em São Paulo e aqui em Brasília, com transmissões bastante interativas e interessantes.


Então, temos visto as grandes emissoras se movimentando para que no ano que vem a tecnologia esteja nas principais capitais do país.


Além disso, o Ministério das Comunicações e outros ministérios, como o da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, têm trabalhado para que haja um processo produtivo básico que incentive os próximos televisores e receptores fabricados a estarem aptos à tecnologia da TV 3.0. A ideia é a de que, quando alguém for trocar o seu televisor, o aparelho já venha com essa nova tecnologia incorporada.


Também tem se falado, no âmbito do Ministérios das Comunicações, em uma política pública de incentivo, assim como houve em relação à transição do sistema de TV analógico para o digital, com a distribuição de set top box para parte da população. Esse tipo de medida e política pública é necessária para a efetiva implantação do sistema de TV 3.0 aqui no país.



Em relação ao aplicativo destinado ao setor público de comunicação, incluindo os das casas legislativas, quem é responsável por esse desenvolvimento? Quando e como as emissoras desse segmento poderão começar a ter acesso e usufruir da tecnologia da TV 3.0?


O projeto está sendo desenvolvido no âmbito do Gired e da Anatel. O Gired é o Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização, que tratou da transição do analógico para o digital, a partir do investimento de determinados recursos. O executor é a Seja Digital, uma entidade sem fins lucrativos criada pela Anatel para gerir esses projetos adicionais do Gired e da Anatel.


A Seja Digital fez uma FRP (Request for Proposal) para contratar duas empresas no mercado para fazer o desenvolvimento dos projetos. Uma dessas empresas, inclusive, realiza os trabalhos com a participação de universidades e professores bastante renomados e que têm nos auxiliado com esse desenvolvimento e essa inovação.


(A TV 3.0) É, inclusive, uma tecnologia e uma aplicação de ponta que não existe em nenhum outro lugar do mundo. É, realmente, um projeto através do qual o Brasil colocou um passo à frente até dos países mais envolvidos, como os Estados Unidos. A proposta tem sido bem aceita e tem ganhado visibilidade, inclusive, internacionalmente. 


E aqui vem uma excelente notícia: o projeto que nós submetemos para que os aplicativos possam ser desenvolvidos para a Câmeras dos Deputados, para o Senado Federal, para assembleias legislativas e as câmeras municipais, permitirá o acesso aos aplicativos, inclusive, ao código-fonte para as casas poderem adaptar e continuar fazendo desenvolvimentos.


Nós também previmos nesse projeto a aplicação para o canal da TV Brasil, Canal Gov, Canal Saúde, Educação, ou seja, todo um rol de emissoras, tanto legislativas quanto públicas como um todo, terão acesso ao que está sendo criado. 



Parece que os recursos de interatividade da TV 3.0 vão funcionar de forma semelhante aos dos aplicativos da Globoplay e Nexflix, por exemplo. É isso mesmo?


Exatamente. A forma de acessar e ver televisão vai mudar. Será através de aplicativo. Na tela inicial dos televisores haverá os aplicativos para acesso aos canais. Dessa forma, o que a gente chama de canal vai se transformar em aplicações, assim como o Globoplay, a Netflix e YouTube.


Nós teremos a possibilidade, por exemplo, de disponibilizar mais de um conteúdo ao vivo. Dou o exemplo aqui da Câmara dos Deputados, em que muitas vezes estamos transmitindo uma comissão, mas também tem o Plenário ao mesmo tempo e várias comissões. É possível veicular vários “ao vivos”, de forma que a telespectador possa escolher aquilo que o interesse mais.


Além disso, poderá estar à disposição os conteúdos de vídeos sob demanda, conteúdos gravados, programas, filmes e séries etc. Isso, além de uma série de funcionalidades interativas, como enquetes. O telespectador poderá selecionar partes dos vídeos e compartilhar, via celular, nas redes sociais. É uma infinidade de possibilidades que, na verdade, cada emissora legislativa poderá ter e criar a interação que ela mesma desejar.



Quais são as outras frentes de trabalho da Rede Legislativa?


Além da TV 3.0, nós focamos muito em expansão no sentido de universalizar os sinais da e o acesso à comunicação legislativa. Todos os cidadãos precisam desfrutar dessa possibilidade de informação. A expansão é focada tanto na TV quanto na rádio.



O Programa Brasil Digital e o crescimento da Rede Legislativa estão diretamente ligados, então.


Sem dúvida. É um projeto que veio justamente para incentivar e trazer recursos para que a Rede Legislativa seja implantada nas cidades onde ainda não há sinal coberto por essas emissoras.


É um programa que prevê a instalação de equipamentos em 400 cidades, das quais 10% já foram contempladas. A expectativa é a de que até o final de 2027 nós possamos atingir a meta, o que traz um ganho muito significativo, com milhões de pessoas a mais podendo ter acesso aos sinais das emissoras da Rede.


Através do Brasil Digital, muitas cidades onde não há sequer TV aberta com programação local podem desfrutar desse meio de comunicação tão importante para a população. 



Qual é o tamanho hoje da Rede Legislativa e o grau de interação da Rede e das emissoras?


Podemos dizer, hoje, com bastante orgulho que a Rede Legislativa conta com mais de 1.660 estações de transmissões de televisão. Esse dado muda a cada semana. Então, provavelmente nos próximos dias teremos ainda mais estações graças, inclusive, ao Brasil Digital e a um programa anterior, que é o Digitaliza Brasil, responsável por implantar 1.550 estações.


A Rede tem crescido, fortalecido e hoje atinge mais 2.200 municípios. Mais de 132 milhões de pessoas têm acesso aos sinais de televisão da Rede Legislativa.


Sobre a rádio, a Câmara dos Deputados tem em torno de 30 estações transmissoras, junto com câmaras municipais e assembleias legislativas.


No que diz respeito à integração, nós, como Rede Legislativa, passamos diversas orientações. Temos um acordo de cooperação que traz regras para que cada emissora tenha uma transmissão adequada à regulamentação e aderente aos princípios da comunicação pública, mas também passamos diversas outras orientações, como a respeito das regras eleitorais, por exemplo.


Os eventos anuais têm esse sentido também, de estarmos sempre próximos e suprirmos as dúvidas de cada parlamento.



Quando uma cidade é contemplada pelo Programa Brasil Digital, isso significa que o município vai receber uma estação, com todo o aparato técnico, que permite a transmissão de sinais de quatro canais da Rede Legislativa: da TV da Câmara dos Deputados, da TV do Senado Federal, da TV da assembleia legislativa do respectivo Estado e da própria câmara municipal daquela localidade. É isso?


Exatamente. Esse é o modelo da Rede Legislativa. Nós fazemos um acordo de cooperação voltado, justamente, para todas as casas legislativas terem a sua transmissão naquele determinado município contemplado pelo Programa.


Isso com baixo custo. Com um único equipamento, é possível transmitir os quatro canais, o que significa eficiência e economia de recursos, de forma muito mais efetiva. 



Como deve proceder uma câmera municipal interessada em ter sinal de transmissão de TV e integrar a Rede Legislativa?


É um processo muito simples através aqui da Rede Legislativa. Em relação a qualquer outro meio, nós sabemos, é difícil obter um canal de televisão ou de rádio, com processos demorados no Ministério das Comunicações. Mas, por meio da Rede Legislativa é simples e rápido, porque nós temos a prerrogativa de sermos União prestando serviço público. Por isso, não tem aqueles editais de concorrência para conseguir um canal de televisão ou de rádio.


Basta a câmara municipal interessada enviar um ofício para a Rede Legislativa, e nós solicitaremos, sem distinção de município, de população ou partidos políticos. Havendo esse interesse, nós submetemos um ofício de uma consignação do canal ao Ministério das Comunicações, que por sua vez emite essa consignação para a Câmera dos Deputados. A partir de então, nós fazemos o acordo de cooperação com a câmera municipal, que vai adquirir os equipamentos e pode operar o seu canal de TV ou de rádio.



Qual e como é a relação entre a ASTRAL e a Rede Legislativa?


A ASTRAL tem um papel fundamental no fortalecimento da comunicação legislativa, de interação entre os parlamentos. Eu citei anteriormente o minicurso que a ASTRAL ofereceu no evento da Rede, mas há ainda mais minicursos e capacitações importantes para a ASTRAL auxiliar, inclusive, às emissoras que estão ainda implantando o sinal.


Mas, entidade também é importante para o fortalecimento daquelas emissoras que já estão na Rede, podendo, por exemplo, ajudar na grade horária e em diversos outros projetos que contribuem para melhorar e avançar a comunicação pública. A própria TV 3.0 é um exemplo, já que a ASTRAL tem se empenhado bastante. Eu tenho a honra, inclusive, de estar coordenando essa questão, como vice-presidente de Redes e Tecnologia.


Bruno Lara / ASTRAL.


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